Os 6 principais desafios da logística brasileira

A gestão das operações requer a atenção constante dos profissionais da área, que precisam planejar o estoque, calcular fretes e dar agilidade aos processos para evitar desperdício. Mas, muitas vezes, as empresas se deparam com um grande problema: a logística brasileira.

Mesmo com ações governamentais como o PAC — Programa de Aceleração do Crescimento, o país não evoluiu muito no que se refere à melhoria da infraestrutura, atravancando a eficiência das empresas.

Segundo um estudo do Banco Mundial, o Brasil ocupa o 55º lugar entre 160 países avaliados no que se refere à logística comercial. Mas, afinal, quais são os reais problemas logísticos do Brasil? Acompanhe!

1. Dependência do transporte rodoviário

Segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o uso da malha viária é muito superior a qualquer outro modal, pois nunca houve um grande investimento em ferrovias e hidrovias no país.

A única exceção é para a região da Amazônia, em que o transporte fluvial predomina, devido às suas características geográficas.

Diante dessa situação, 60% do transporte de cargas do Brasil fica concentrado no modal rodoviário, de acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Isso resulta em deficiência nos processos de entrega de mercadorias, visto que o excesso de veículos provoca congestionamentos nas vias.

O problema se agrava devido à qualidade das rodovias brasileiras, que muitas vezes são de pista simples e apresentam muitos trechos com buracos e defeitos. Tudo isso, em conjunto, gera um atraso nos processos de entrega de produtos e aumento no custo do transporte.

2. Logística reversa

Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, instituiu a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de produtos e a logística reversa. Diante disso, as empresas são obrigadas a estabelecer procedimentos e meios de viabilizar a coleta de resíduos sólidos, a fim de proporcionar o reaproveitamento ou o descarte adequado dos itens.

Sendo assim, uma empresa que vende refrigerante, por exemplo, deve receber de volta garrafas e latas, evitando que esses materiais sejam descartados no meio ambiente. Porém, a logística reversa também pode ser vista de outra maneira. Ela pode facilitar a troca ou devolução de produtos, sem cobrança de taxas e problemas ao consumidor.

Nesse caso, é necessário que a empresa tenha uma estrutura adequada para essas demandas, calcule os custos desse procedimento e tenha condições de rastrear o item.

Todavia, se o processo não for executado de maneira eficiente ele pode resultar em maiores custos para a empresa, dificuldades de armazenagem e problemas de relacionamento com os clientes.

3. Falta de qualidade dos portos

Os portos brasileiros também entram na lista dos desafios da logística brasileira. Os custos são elevados tanto para quem pretende exportar como importar itens.

Exemplo disso é que em Santos, maior porto do país, os navios precisam permanecer cerca de 18 dias para serem carregados, pois não há espaço suficiente para que todos possam atracar.

Muitas vezes, clientes cancelam pedidos em função da demora na entrega de mercadorias, pois falta infraestrutura para escoar a produção. Esse tempo de espera aumenta os preços dos fretes marítimos, sobrecarregando o importador ou exportador brasileiro, e esse problema se estende aos demais portos do país.

Segundo um levantamento do Banco Mundial, em 2012 o Brasil ocupava a posição de número 121 entre 185 países analisados, considerando o valor da exportação de contêineres.

A pesquisa também relatou que o custo médio brasileiro é de R$ 4,4 mil reais, enquanto em países como Alemanha e Estados Unidos o valor cai para menos da metade.

Tudo isso traz dificuldades para os processos logísticos no Brasil, gerando custos para as empresas — pois é preciso pagar pelo período em que a carga fica parada — e perda de competitividade no mercado externo.

4. Constante mudança no preço dos combustíveis

Os constantes reajustes nos preços dos combustíveis também impactam nos custos e processos de logística no Brasil.

Segundo o Departamento de Custos Operacionais, Estudos Técnicos e Econômicos da NTC&Logística – DECOPE, o aumento do preço dos combustíveis realizado pela Petrobras em abril de 2017 provocou um acréscimo médio de R$ 0,09 por litro de diesel nas bombas de combustíveis, representando um reajuste médio de 2,9% para o consumidor final.

Essa mudança refletiu em um acréscimo no custo operacional, elevando o valor do frete. O aumento ficou entre 0,11% e 0,92%, dependendo da distância do transporte e do porte do caminhão.

5. Custo do transporte aéreo dificulta logística brasileira

Mesmo com a facilidade do transporte aéreo em um país com as dimensões geográficas como o Brasil, esse modal é pouco utilizado para o traslado de cargas.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), menos de 20% da capacidade das aeronaves é utilizada para a logística de mercadorias. A estimativa é que o uso do modal cresça apenas 58% até 2020, em comparação com 2013.

Isso ocorre devido ao alto custo desse meio de transporte. Geralmente, essa opção é usada apenas para produtos com alto valor agregado ou altamente perecíveis.

Outro fator que costuma dificultar o uso é o excesso de burocracia, pois até pouco tempo era exigida a tramitação de documentos físicos para comprovação e registro da exportação ou importação de cargas.

6. Falha na gestão de informações

Muitas empresas ainda tentam administrar todas as informações logísticas em planilhas e documentos impressos. Porém, com o tempo, essa medida torna-se ineficiente, pois impossibilita a gestão correta dos processos.

Diante disso, é imprescindível que a companhia invista em tecnologia. Muitos softwares contribuem para gerenciar melhor os pedidos, controlar o estoque, calcular custos, monitorar entregas de produtos, entre outras situações que demandam a atenção de empresários.

Dessa maneira, a tecnologia permite aprimorar os processos logísticos, compartilhar dados com parceiros e qualificar as informações. Isso garante a credibilidade das operações e a transparência dos processos.

Além disso, a solução pode facilitar a análise dos dados, permitindo encontrar novas maneiras de reduzir os custos operacionais e aumentar a lucratividade do negócio.

Diante do conteúdo exposto, pode-se perceber que ainda há muitas situações que dificultam as operações logísticas no Brasil. Entre elas estão: a dependência das rodovias, falta de qualidade dos portos e custos dos combustíveis.

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