Qual é a atual situação da logística no Brasil? Descubra aqui!

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Mesmo após a crise econômica, o mercado de e-commerce no Brasil vem crescendo e o país se consolida como um dos mais desenvolvidos em relação ao comércio eletrônico mundial, ocupando a oitava posição no ranking segundo a pesquisa Global Payments Report 2017 da Worldpay. A previsão de aumento nas vendas para o ano de 2018 é de 12% a 15% segundo a Ebit.

Além disso, o agronegócio impulsiona a economia: foi responsável pelo aumento do PIB (Produto Interno Bruto) do país em 2017, com um crescimento acumulado de 14,5%, enquanto os setores de indústria e serviços contribuíram negativamente, com índices de -0,9% e -0,2%, respectivamente, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A logística no Brasil deveria acompanhar esse desempenho econômico, a fim de realizar a entrega dos pedidos e das cargas nos prazos combinados e de forma segura. Contudo, apesar desse cenário econômico otimista, a infraestrutura logística apresenta gargalos intransponíveis para o avanço do setor.

Neste post, vamos apontar qual a situação da logística no Brasil, quais investimentos serão necessários para alcançar eficiência, e inovações que podem ajudar o setor. Confira!

A atual infraestrutura logística no Brasil

Nos últimos 20 anos, o Brasil investiu em média 2% do PIB em obras, enquanto outros países emergentes investiram 5%. Até 2020, de acordo com a Confederação Nacional da Agricultura, o Brasil se tornará o maior exportador de alimentos do planeta, mesmo deixando de produzir, em média, 4 milhões de toneladas de grãos pela falta de infraestrutura logística.

Especialistas afirmam que esse desequilíbrio se manterá pelos próximos 10 a 15 anos, principalmente no modal terrestre: 80% dos produtos são transportados em caminhões, que se deslocam por rodovias em péssimas condições de conservação.

Outro fator determinante para o aumento do custo de transporte é o preço do combustível: a gasolina, por exemplo, sofreu 116 reajustes em 2017.

Entenda a seguir as principais características de cada modal de transporte:

Aeroportos

A via aérea é escolhida com mais frequência para o transporte de eletroeletrônicos de alto valor agregado, pela sua rapidez e pela segurança conferida à carga que, assim, não se sujeita aos roubos em rodovias.

No entanto, a burocracia para o embarque desses produtos, que geralmente levam até uma semana para serem liberados, acaba diminuindo a vantagem competitiva conferida pela agilidade do modal.

Rodovias

É o modal mais utilizado no Brasil e, apesar de o país possuir extensa malha viária, está aquém quando comparada a outros países, principalmente pelo estado de conservação das rodovias.

Esse desgaste é resultado do excesso de peso dos caminhões, falta de investimento em melhorias, má qualidade do asfalto ou superfaturamento de obras com a colocação de manta asfáltica de espessura menor que a licitada.

A consequência dessa má conservação é o aumento dos custos de transporte, já que a lentidão na entrega dificulta que a transportadora ou o motorista peguem mais cargas, diminuindo assim o número de viagens, além da depreciação dos veículos que é repassada no valor do frete.

Ferrovias

O Brasil é um país de dimensões continentais e o modal ferroviário seria uma solução para suprir a demanda por um transporte rápido e de segurança.

Apesar disso, são muitos os fatores que influenciam sua ineficácia, principalmente a dificuldade de padronizar as linhas pelos relevos distintos das regiões e os diferentes tamanhos de bitola das linhas já construídas, o que impedem viagens interestaduais.

Portos

O principal gargalo desse modal é a burocracia, tanto no desembaraço de papéis quanto na vistoria das cargas.

A capacidade de armazenagem nos portos também é deficiente e a demora no descarregamento ou o carregamento acarretam em tempo excedido de atracação, com custos adicionais incididos sobre a carga.

Além disso, a concentração do movimento portuário em mais de 50% nos portos de Santos, Paranaguá e Itaguaí, pela sua infraestrutura mais moderna, aumentam a morosidade nesses locais.

Hidrovias

Mesmo com tantas bacias hidrográficas no país, este é um modal pouco explorado: são 14 mil km no Brasil contra 15 mil km na Índia, 102 mil km na Rússia e 110 mil km na China, de acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) divulgado em 2009, onde se compara as características estruturais dos países que compõe o BRICS, Estados Unidos e Canadá.

O modal hidroviário é mais barato que o rodoviário e o ferroviário, e as principais hidrovias são Araguaia-Tocantins, São Francisco, Madeira, Tietê–Paraná e Taguari–Guaíba.

Desafios da infraestrutura logística

O pré-requisito para uma logística eficiente começa com a gestão das transportadoras  e o seu grau de profissionalização no que tange à racionalização na distribuição de mercadoria no veículo, monitoramento de cargas, investimento em inovações e na sustentabilidade.

O desenvolvimento regional com o fortalecimento de cadeias produtivas nos diversos setores econômicos obrigaria o governo a enxergar a necessidade de um investimento mais significativo no setor.

Enquanto isso, leilões e a terceirização de estruturas dos diferentes modais de transporte, como terminais portuários, por exemplo, podem atrair o interesse de investidores nacionais e estrangeiros e garantir que recursos sejam alocados para a melhoria na logística do país.

Algumas iniciativas são implementadas pelo governo por meio do Plano Nacional de Logística e Transporte, e pelo Programa de Aceleração do Crescimento, mesmo que, muitas obras que compõe esses programas, não tenham sido iniciadas por questões políticas, problemas locais ou conflitos de cunho ambiental.

O setor da mineração investe como pode e de forma privada, no sistema ferroviário e a expansão de outros modais, mesmo que seja com investimentos de caráter particular, pode ampliar a rede logística no país e reduzir os altos custos associados ao uso do modal rodoviário.

As soluções inovadoras para esses obstáculos

O uso de tecnologias pode ser uma opção para inovar no setor e eliminar gargalos causados pela infraestrutura.

Um exemplo que em breve poderá ser utilizado para transporte de pequenas cargas é o uso de drones. Por meio aéreo e de forma mais barata, eles vão contribuir para descongestionar estradas e aumentar a agilidade nas entregas.

A Boeing, maior fabricante de aviões, apresentou recentemente, um modelo com capacidade de carregar até 225kg de carga. Testada pela rede Amazon, o objetivo é viabilizar a entrega “relâmpago” — logo após o pagamento no processo de compra por meio do e-commerce, com prazo de entrega máximo de 30 minutos.

O uso do Blockchain também confere mais transparência no processo logístico e no fluxo de comunicação entre os envolvidos, principalmente no que diz respeito ao rastreamento de carga.

As possibilidades são imensas quando envolvem tecnologia. Cabe às empresas se apoderarem do que já está disponível no mercado, desenvolverem seus processos para que não sejam totalmente dependentes da estrutura logística disponibilizada pelo governo.

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